Devaneios de um Qualquer..


08/10/2008


Dúvidas, com toda a certeza.

Existe alguma forma de medir a estupidez?
Digo, a própria estupidez?
Algum jeito de não se iludir?
De não se desacreditar?
De não ser desacreditado?
Ser desconsiderado?
Quase ignorado?
Ser deixado de lado?
Seria esse o menor dos problemas?
Ou seria esse o maior problema?
E se existirem dúvidas?
E se as dúvidas não forem respondidas?
E se as respostas não forem o suficiente?
E se o que apetece não for provado?
E se o quê já foi feito, for ignorado?
Se o que foi escrito for apagado?
Se o sentimento for esquecido?
Se o sofrimento for alavancado?
Se o aperto no peito for aumentado?
Se o gosto do féu for piorado?
Se o inferno parecer que é logo ao lado?
Se a inteligência de nada valer?
Se o que está claro, ninguém puder ver?
Se está tão claro, alguém irá ver?
Se não houver nada que ningúem possa fazer?
E se esse ninguém for você?
Você faria?
Veria?
Ignoraria?

Será mesmo que a felicidade aparecerá um dia?
Será?
E se...??
Se...

É...
Era. Foi.
Inacreditavelmente cego, indubitavelmente burro.

Escrito por Fabio Fernandes... às 00h11
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07/10/2008


Quem você pensa que é?

Existem duas perguntas que também são respostas quando dispostas juntas, uma após a outra. A primeira é: “Sabe com quem está falando?”, e a segunda é “Quem você pensa que é?”.
É muito simples, mas antes de mais nada tenha em mente que uma pergunta responde à outra, não é necessariamente regra que o restante da conversa termine de forma tranquila. Se a conversa for entre você e qualquer outra pessoa de nível hierárquico mais elevado que o seu em seu local de trabalho, provavelmente o final da conversa pode não ser agradável. Portanto, eliminemos o uso dessas “perguntas-respostas” no nosso local de trabalho. Digo isso por dois motivos: Se você fizer uma dessas perguntas, demonstrará arrogância ou prepotência, o que não ajuda muito. Se responder uma dessas perguntas, se insubordinará em alguns casos. Portanto vamos ao novo nível de abstração a utilização das perguntas acima citadas, na rua..

Certa vez, parei para estacionar o carro, e quando dava a seta e engatava a ré, um indivíduo simplesmente ignorou os sinais aparentes de que a vaga já era minha e posicionou, porcamente, o carro na vaga. Tendo eu percebido que ele precisaria sair e entrar com o carro na vaga novamente, esperei o momento certo e estacionei o meu carro antes que ele tivesse tempo de voltar com o carro dele. Antes de sair do meu carro, fechei os vidros, peguei alguns papéis e sai calmamente do carro, quando percebi o indivíduo de baixa estatura vindo em minha direção. Sem rodeios ele perguntou:

- Ô rapazinho, você não viu que eu já havia estacionado na vaga?

E o diálogo se iniciou:

- Vi sim. – Respondi calmamente, por incrível que pareça.
- E então? – Retrucou.
- Vi também que você saiu da vaga.
- Mas eu estava apenas manobrando para estacionar melhor. – Explicou ele.
- Tudo bem amigo, mas eu percebi que você já havia entrado e saido da vaga, mas você por acaso percebeu meu carro parado logo à frente com a seta ligada e a ré engatada?? – Já começava a ser discretamente irônico.
- Não, não vi. – Aí começou a mentir, e eu comecei a me irritar.
- Tudo bem então, pensando bem eu não vi você entrando, só vi você sair da vaga. Então como ela estava disponível, eu estacionei lá. – Demonstrando clara ironia.
E nesse momento, surgiu abruptamente a pergunta mágica:
- Meu querido, você sabe com quem está falando? – Perguntou ele. Tive que me segurar para não rir.
- Meu querido – com plena ironia, basicamente rindo da cara dele - quem você pensa que é?

Nesse momento, o cidadão resolveu repensar o quê havia dito, afinal de contas este tipo de conversa funciona como o blefe no poker que se você começar, tem que saber até onde pode ir, e se irá até o fim ou não.

Não obstante, resolveu me perguntar quem eu era:

- Mas e você? Quem é?
- Bom, por você ter demonstrado um pouco de bom senso e querer conversar para resolver o problema, vou lhe responder apenas que não deveria utilizar de autoridade sem necessidade, até mesmo para se preservar. – Avisei-o.
- Errr... hum.. Bom, então o Senhor me desculpe, mas é que achei que não haveria problema se eu estacionasse ali, é que estou apressado para ir ao banco, sabe como é né? – Tentou se explicar.
- Não, não sei. Geralmente não paro meu carro por aqui, mas como esse é o carro da empregada, paro em qualquer lugar. – Menti, descaradamente.
- Tudo certo, sem problemas, pode ficar com a vaga, olha que sorte a minha acabou de desocupar uma vaga ali na esquina, vou parar lá antes que perca a vaga. – Já finalizando a conversa, com medo de quem eu “pudesse ser”.

Depois disso tudo, esperei uns instantes e tirei meu carro da vaga, parei do outro lado do quarteirão, afinal de contas ainda restam-me algumas prestações pra pagar do “carro da minha empregada”. E não queria que o indivíduo revidasse no meu carro... Digo, no “carro da minha empregada”.

Então a conclusão da história é clara: nunca demonstre inferioridade e ao mesmo tempo não subestime seu “adversário”. Afinal de contas ele pode não saber, naquele momento, com quem está falando... Mas podemos ser quem pensarmos ser e agir como tal, sempre que quisermos.

Escrito por Fabio Fernandes... às 16h20
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