Devaneios de um Qualquer..


21/10/2008


Independência ou morte!

Atenção queridos leitores do meu humilde blog:

Devido a problemas de compatibilidade do dono do blog com o site hospedeiro:

- Propaganda demais (tanto pra ver o blog, como na interface de administrador)
- Dificuldade de configuração
- Impossibilidade de exportar posts.
- Impossibilidade de exportar Comments.
- Impossibilidade de alterar o HTML básico da página. (eu tentei, e não consegui)
- Dificuldade pra deixar o blog com o visual mais parecido com o que eu gostaria q fosse.
- Sensação de prisão (por não poder exportar nada, por não poder usar nenhum editor de blogs...)

Por isso, abri uma conta no Wordpress, e passarei a postar lá. Mas manterei esse blog aqui, pra não perder os comments que prezo muito.
Acredito que, num futuro não muito distante, passarei a utilizar somente o Wordpress com o endereço abaixo:

http://devaneiosdeumqualquer.wordpress.com/

Dúvidas, críticas e sugestões, favor comentar(aqui ou no wordpress).

"À direção."
(sempre quis escrever isso)

Escrito por Fabio Fernandes... às 14h58
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/10/2008


Consciência.

Fala o quê não deve.
Fala o quê deve.
Fala se deve.
Fala se já pagou.
Fala o quê pensa.
Fala o quê inventa.
Fala o quê acredita.
Fala sobre o quê não quero saber.
Fala o quê não quero ouvir.
Fala quando queria ficar quieto.
Fala enquanto estou por perto.
Fala que não foi de peito aberto.
Fala por assim não ser o certo.
Fala sobre o esquecido.
Fala o desmentido.
Fala o descabido.
Fala só por falar.
Fala ao invés de calar.
Fala e nunca cala.
Fala pro quê a fala não basta.
Fala mais do que deveria.
Fala até quando já não se ouvia.
Fala da falta do quê falar.
Fala demais...

Escrito por Fabio Fernandes... às 11h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

16/10/2008


Às mulheres.

Devido à necessidade clara de expressar-me de forma mais coloquial, e falar mais diretamente sobre o quê penso. Abrirei uma exceção e falarei abertamente sobre minhas opiniões, mesmo podendo depois ser desmentido, descordado, desacreditado.. enfim, darei a cara à tapa.

Ando lendo inúmeros blogs escrito por mulheres, e maravilhosas mulheres diga-se de passagem, mas não sei ao certo por quê tenho feito isso. Não sei se é por quê elas escrevem de maneira visceral, objetiva, direta, pessoal, que me atrái muito embora eu muitas vezes não consiga fazê-lo. Não sei se é por quê a maioria dos blogs escritos por homens que já acessei não me interessaram tanto, afinal de contas a maioria que visitei eram de poesias e poemas, feitos claramente com o objetivo de “agregar valor” na hora de “arrastar” uma mulher, ou então eram sobre tecnologia, carros, futebol, política... E, além do mais, tenho aprendido muito nos sites femininos a entendê-las melhor. Com isso percebi que elas simplesmente adoram falar mal dos homens. Obviamente que demonstram um certo carinho com ar de superioridade, mas na maioria das vezes só comentam sobre os vacilos, deslizes, gafes, idiotices, imbecilidades, e palhaçadas que a maioria dos homens comete. Digo “maioria” por me sentir exceção, sem falsa modéstia. E neste texto, tentarei explicar por quê acho isso.

Certa vez dei carona pra um colega de trabalho. Era um trajeto curto de 1Km no máximo já que o deixaria no ponto de ônibus por eu ter que seguir em sentido oposto. Mesmo tendo pouquíssimo tempo no carro, o cara simplesmente mexeu com TODAS as mulheres que estavam saindo de seus respectivos trabalhos e indo pra casa andando pela calçada. Quando digo “mexeu”, é por que foi no sentido mais imbecil da palavra, mais obsceno. De dizer vulgaridades e tudo mais, e quanto mais ele falava, mais rápido eu ia pra que a viagem (dele comigo) acabasse logo e eu pudesse me livrar daquela vergonha. Sim, pra mim esse tipo de coisa é uma vergonha. Obviamente existem mulheres que gostam de ouvir obscenidades, mas a grande maioria se sente incomodada com isso. Além do quê, NUNCA presenciei um cara dar uma daquelas cantadas prontas, e efetivamente conquistar a mulher. Tentem imaginar a cena:

Uma mulher vem andando pela calçada, e um cara passa (no banco do carona) de carro, e diz:

- Ê gata, você é a nora que a minha mãe queria.
Resposta:
- Hum gatinho, então me leve pra conhecê-la!?

Já viu isso acontecer? Só se fosse no Twilight Zone. E pra falar a verdade, nem lá isso aconteceria.
Fala sério, fico puto da vida quando vejo uma mulher passando pela calçada, e aquele monte de pedreiro gritando:

- Ô Gostosa!!
- Vem cá pra eu te mostrar a minha “obra”?!

Volto a frisar, tem mulher que gosta disso até mesmo por quê tem dias que elas saem de casa com a baixo-estima alta, ou auto-estima baixa como preferirem, e esses estranhos incentivos acabam por ajudar a fazer com que a estima melhore. Mas já vi mulheres ficarem tão revoltadas (devia ser a inteligência linguística potencializada pela TPM) a ponto de sacanearem os pedreiros dizendo:

- Deve ser uma merda só poder olhar, e ter que se satisfazer com o colega de trabalho hein??

E não sei de onde elas tiram essas respostas, mas sempre são muito mais criativas que as frases feitas pelos homens, e na maioria das vezes só sobra a vergonha pra quem começou, ou seja algum palhaço da vida.

Eu por exemplo, não faria esse tipo de coisa. Não por achar apenas que é constrangedor tecer algum tipo de comentário sem antes conhecer a pessoa, mas mais para me preservar, me resguardar, afinal de contas também tenho que me valorizar. Não saio por aí mexendo com qualquer mulher na rua, até por que já passei por situações de estar andando sem camisa por exemplo, e de uma mulher num carro dizer:

- Ah eu com um desses lá em casa!

Me senti como disse anteriormente, acaba inflando um pouco o ego. Mas como a tiazinha que mexeu não era lá muito bela, acabou ficando uma pontinha de constrangimento que não consegui disfarçar.

Sinceramente, eu já mexi com mulheres na rua, mas de uma forma mais sutil. Nunca falo nada pensado com antecedência, é mais interessante falar algo que esteja no contexto comum, algo que esteja fazendo parte do meu e do contexto dela, naquele momento. Se estiver num restaurante, por exemplo, falo da comida, de um vinho, sobre qualquer coisa do momento. É mais fácil obter uma resposta positiva assim e, além do mais, isso serve como início para uma conversa dependendo da resposta dada. Acho mais interessante demonstrar interesse no conteúdo do quê na beleza exterior, mesmo que esta seja exacerbada. É sério. A maioria das mulheres bonitas que conheço, simplesmente ignoram quando são abordadas apenas pela beleza, isso é fato. E é fato, também, que ainda assim muitos homens não conseguem perceber que por serem bonitas, não quer dizer que sejam burras, ou por serem inteligentes não tenham nenhuma beleza.

Numa festa, por exemplo, é fácil saber quem está disponível e quem não está. Mas quando digo “estar disponível” não quer dizer não ter namorado, marido, agregado ou demais sinônimos. Quero dizer “ter se disponibilizado para novos acontecimentos”. Você, homem, pode ir a uma festa, por exemplo, e perceber quem está disponível pelos olhares.. Claro que um olhar daqueles que parece mastigar com as pálpebras, para não dizer comer com os olhos, é facilmente percebido. Mas se deve ir além, e observar com mais calma antes de mais nada. Isso faz com quê o tiro seja sempre certeiro, e não saia pela culátra como na maioria dos casos. Em alguns casos as mulheres “não disponíveis para novos acontecimentos” simplesmente olham, avaliam, tecem seus comentários mentais, em alguns casos compartilham esses com as amigas, e continuam como estavam. Sozinhas, se divertindo entre amigas. E ponto final, afinal de contas pode ser só isso que as interessam naquele dia, naquele momento específico.
Tem que saber perceber isso embora, às vezes, elas possam mudar de idéia caso se saiba como iniciar uma conversa. Acho mesmo que o interessante é se demonstrar interessante (claro que uma boa aparência ajuda).

Mas, fazer o quê? Tenho que admitir que acho uma maravilha por haverem homens assim, que falam besteiras, que não se importam com o quê as mulheres pensam, que simplesmente dão uma de palhaço e assumem o direito de serem rotulados como tal. Digo isso por que acaba facilitando o fato de eu me sobressair. Mas infelizmente acabam por denegrirem a imagem masculina, dando espaço para generalizações da parte feminina. Tenho que admitir, também, que tenho minhas qualidades masculinas (palhaçadas instintivas) que às vezes aparecem. Quando não percebo algo óbvio, quando falo algo inoportuno, quando demonstro insensibilidade, quando minha mente masculina programada para encontrar soluções não sabe ouvir, isso por quê mulher às vezes só quer falar, conversar mesmo. E isso é beeeem complicado de entender, porque quando começo a ouvir coisas do tipo:

- Ah, ontem discuti com a minha mãe, ela simplesmente não me entende..

Na mesma hora minha cabeça, assim como todas as mentes masculinas, começa a tentar achar uma solução pro problema. Mas não é isso que a mulher quer, ela não quer solução até mesmo por quê se quisesse daria o próprio jeito de conseguir uma. Ela só quer falar que teve o problema com a Mãe, só quer conversar, só quer socializar. Mais nada. Portanto, cuidado ao oferecer soluções demais para uma mulher, pois se você, homem, estiver fazendo isso pode não estar entendendo bulhufas do que está se passando.

Nasci homem, mas não nasci burro. Me atraio por uma bela bunda (e por q não admitir isso?), mas só a bunda, sem assunto.. Que graça tem? Pra mim isso já teve graça, hoje em dia procuro o “algo mais”, que não dá pra encontrar em uma bunda qualquer... Acho vergonhoso ter que citar Zorra Total, mas “não basta ter só um corpinho bonito, o negócio é ter mesmo muita cuca no lance.”

Enfim, elas são complicadíssimas e admiráveis, sem elas não somos nada.. Então, tentemos entendê-las.

Escrito por Fabio Fernandes... às 11h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/10/2008


Café com leite.

Se ecológico não é a repetição de algo óbvio, então sufixos, prefixos e crucifixos são apenas para confundir. Contabilidade pode ser a habilidade de contar, mas se falada com humildade vira expressão pra uma quantidade enorme de habilidade. Terminado não é ter instalado minas, é o findar de algo que teve início. Manta vai de cobertor até vantagem por escambo desigual. Prontamente não é uma mente concluída, acabada. É apenas uma maneira pronta. Maneira pronta de dizer as coisas é como manerar a ponta dos pensamentos. Mas aprontar não é apontar, e a ponta quase nunca apronta. Desapercebidamente aponta que a mente pode estar prontamente distraída, ou que o ato foi cometido de maneira inadvertida, impensada, não calculada. Descobrir pode ser tirar a cobertura, ou encontrar um achado, e um achado, se lido rápido, pode virar o machado. A contentação de escrever, pode ser estar à vontade com a escrita, assim como pode ser a tentação de escrever. Atenção pode ser requerida, mas a tensão pode ser execrada, mesmo se exacerbada. Contexto é um assunto, e ao mesmo tempo acompanha o texto, não como o pretexto que é uma desculpa esfarrapada, podendo ser a forma ainda não acabada de um texto. Um papelão varia de vexame à pedaço de papel mais resistente. E a língua, pode ser parte do corpo ou parte da mente por ser parte da cultura. A cultura pode ser o cultivo de algo vivo, ou a vivência de algo sábio. Consciência pode ser apenas pensar mais a fundo ou, na velocidade da fala, apenas a lembrança de uma matéria de colégio. Atarrachado pode ser uma tarracha apertada, ou então a exclamação de alguma coisa rachada. Aparador é o quê apara, ou o pedido para que termine a dor. Uníssono, o coletivo numa voz só, vira único sono de alguém.

Tudo depende de como se lê, de como se vê, de como se é. A língua, mesmo ainda podendo ser só uma língua numa boca, nos dá a comunicação e ao mesmo tempo nos permite brincar com as palavras, sufixos, prefixos e tudo mais.

Mas, pra isso, ainda sou café com leite...

Escrito por Fabio Fernandes... às 19h03
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Metáfora

Não se pode usar guerra como metáfora para amor.

A guerra acontece de forma esmagadora se houver
vontade apenas de uma parte.

Caso haja só uma parte interessada no amor,
é arrasador ver como esta se destrói e converte o sentimento em ilusão.

Escrito por Fabio Fernandes... às 23h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

13/10/2008


Pra minha Mãe.

Mãe,

Lembro que há muito tempo atrás, você me pediu pra que eu te escrevesse uma carta. Na verdade, você disse que eu não precisaria te dar presentes, bastava que eu escrevesse alguma coisa. Só que, não sei por quê, nunca fiz isso. Idiotice, preguiça, enfim não sei qual seria o motivo. Mas o fato é que acabei não escrevendo, e hoje simplemente fiquei com vontade de te escrever algumas coisas.

Não sei se já te falei, mas montei um site na internet onde publico vários textos. A maioria deles tem você sendo lembrada, seja pelo que fez por mim, ou pelo que me lembro de você. E nos dois sentidos gosto muito de tê-la comigo.
Sendo assim nada melhor que tentar colocar um pouco do meu amor por você em verso e prosa, ou texto e contexto, ou até mesmo rimas. Mas não consigo. Com você não consigo ser subjetivo, não consigo utilizar de subterfúgios da língua portuguesa aos quais me acostumei sempre que precisava descrever o que sinto, senti, ou sentia... Você merece que eu vá direto ao ponto, e descreva tudo o que penso de maneira direta e objetiva.

Antes de mais nada, gostaria de dizer o quanto lembro de você. Do quanto lembro da sua respiração enquanto me carregava no colo quando morávamos em Manilha. Lembro de você tentando correr atrás de mim pela casa para me dar banho, e eu me esquivava com habilidade, subia nos azulejos empilhados na sala, atravessava a janela, andava sobre uma pilha de tijolos, e me jogava no monte de areia na calçada. E como já estava longe, você desistia, me ameaçava e eu voltava rapidinho, com medo da ameaça se concretizar. Pra você pode ter sido cansativo, mas pra mim era como brincar com você. Aquele era meu jeito de falar: “Mãe brinca comigo!”

Lembro também de várias vezes que tentou jogar bola comigo. Eu adorava, não pelo esporte em si até mesmo por quê até hoje não sou muito fã, mas a sua companhia e o seu empenho em se divertir comigo valiam as caneladas e os bicudos que você dava. E você não faz idéia do quanto me divertia.
Inúmeras vezes tentou entrar no meu mundo, e entender o que eu gostava, o que eu queria, o quê me apeteceria. Mas eu, por sempre saber ser, e gostar de ser, naturalmente complicado, acabava dando incentivo para que você desistisse momentaneamente e me deixasse só, para montar meus robôs com motores e luzes. Solidão momentanea que acabava quando você voltava com os vizinhos, mostrando-lhes as minhas “maravilhosas invenções”.
Lembro do seu colo de maiô enquanto tomávamos banho de qualquer coisa, fosse piscina, rio, mar, lagoa.. até de carcaça de geladeira. Lembro das comidas deliciosas, do ovo mexido, das panquecas, dos maravilhosos bolinhos de chuva, do leite queimado que só você sabia acertar o jeitinho que eu mais adorava.

Lembro de você tentando me fazer estudar... Sabe que até hoje tenho dificuldades nisso? Mas sei que é problema da minha cabeça, às vezes queria ser como meu irmáo, que tudo o que quer estudar ele consegue. Comigo, não sei o quê acontece, mas quando começo a estudar e vejo que é fácil de aprender, deixo pra lá. Sempre gostei de desafios Mãe, essa sempre foi a graça da vida pra mim. Se era pra subir no galho mais alto, da árvore mais alta, eu sempre quis ser o primeiro... Portanto não deve se culpar por não ter conseguido me fazer estudar o quanto deveria. Até por quê bem ou mal, acabei me virando... Sempre acabava me virando, por quê a independência eu aprendi de você ao longo da vida que passamos juntos.

Lembro de várias vezes que precisou me punir com rigidez, e com razão. Eu sempre mereci, pode apostar. Quando você me batia, eu sempre soube a razão de estar apanhando, embora você pudesse estar me batendo por outra travessura. É como minha irmã fala a meu respeito: “O Fabinho nunca dá ponto, sem nó.”
Já dei inúmeros outros nós que você não precisou desatar. Ou simplesmente não ficou sabendo, mas isso fez com que eu evoluísse, e pudesse hoje falar com orgulho das coisas erradas que eu fazia, por ter sobrevivido à elas.

Lembro de você andando atrás de mim de madrugada, andando pelas ruas, indo nos lugares onde eu costumava ficar pra me carregar de volta pra casa. Sempre coberta de razão, afinal de contas aquilo não era mesmo hora pra eu estar na rua. Lembro das minhas namoradas que você prontamente se interessava em conhecer, e do seu policiamento sempre que eu saía de casa, ou melhor, sempre que vou fazer qualquer coisa. Eu simplesmente adoro o famoso: “Modere-se.” Que até hoje você ainda insiste em repetir, de verdade. Já parou pra pensar que ele engloba toda uma regra de etiqueta, comportamento e bons costumes que pode haver? Sei disso por saber o quê fazer, por saber que foi você quem me ensinou. Por saber que você me fez ser o que sou hoje. Por que sem você eu não seria nada do que sou hoje. Por que sem você eu não sou nada.

Lembro-me, dessa vez melhor do que todas as outras, de quando cheguei bêbado, com inacreditáveis 13 anos de idade, em casa e você e minha irmã me deram banho, e me colocaram na cama. Esse foi o meu maior arrependimento de toda a minha vida, pois foi a vez que percebi o quanto te magoei, o quanto te fiz sofrer, o quanto te fiz sentir desgostosa comigo. E só não me arrependo mais pois, por saber o que havia te causado, aprendi que nunca mais deveria repetir tal cena. Que eu deveria começar a arcar com as consequências dos meus atos. Mas nesse dia, eu aprendi a nunca mais querer te magoar. A nunca mais querer te ver me ignorar, simplesmente pra não lembrar do que eu tinha feito. E por isso Mãe, eu te peço desculpas mas também te agradeço por ter me castigado, por ter me ignorado, por ter deixado de demonstrar afeto pra que eu aprendesse a te valorizar, e valorizar tudo o que sempre me ensinou, o jeito certo de fazer as coisas.

Inúmeras foram as brigas que tivemos, e ainda me pergunto de onde eu sempre tirava tanta razão??? De onde apareciam tantos motivos para que eu fosse absolvido, ou que fosse acreditado e levado a sério? Infelizmente o argumento sempre esteve a meu lado, embora eu o tenha distorcido em tantas vezes. Me desculpe por isso também Mãe, devia ter te escutado mais ao invés de ter falado tanto.

Aprendi a gostar do que você gostava, tudo o que me dizia sempre me fascinou... As histórias da casa da roça, das brincadeiras debaixo dos pés de manga, ou até “pés de árvores..”. Embora tenhamos tido poucas conversas. É, isso mesmo, pra mim foram poucas. Eu devia ter me interessado mais pelas coisas simples que você sempre gostou, devia ter me inserido no seu mundo e não ter tentado ser sempre diferente. Bom, mas também não me arrependo e também sou grato por isso, até por quê mesmo com tudo isso você não deixou de me amar 1 minuto sequer.

Ah Mãe, me lembro de tanta coisa, de tanta coisa que você fez parte em minha vida, de tantos sacrifícios que a senhora fez, de tantos problemas que teve que passar, de tanta vida que vivemos juntos. De tudo.
De você sempre fica o quê há de bom, e pra falar a verdade, tudo o que há de bom em mim, veio de você.

Hoje, com meu filho, até os seus erros (completamente compreensíveis) me fazem ser uma pessoa melhor, ser um pai melhor mesmo eu ainda tendo inúmeros defeitos.

Só não quero continuar a viver sabendo que nunca disse isso tudo a você. Sabendo que nunca agradeci por tanto esforço, por tanto sacrifício, por tanto amor, tanto carinho, tanto afeto, tanto acalento nos momentos de dor, é tanta coisa Mãe que não dá pra descrever, é até difícil de agradecer por ser tanta coisa.

Só sei que tentei escrever isso tudo só pra dizer que te agradeço acima de tudo, que as lágrimas que descem do meu rosto enquanto escrevo, são o excesso de alegria, felicidade, e amor que sinto transbordando dos meus olhos. Por causa do quê sinto por você. É como uma sensação de saudade que se mistura com coisa boa, com colo de mãe, com o seu sorriso orgulhoso quando eu acertava em alguma coisa, com bolinho de chuva, com os gritos de: “- Fáááááábio, acabou o peraí, vem pra casa agoraaaa!!” enfim, com tudo.

As palavras são muito vagas para descrever tamanho sentimento mas, para respeitar a minha posição inicial, vou ser direto e objetivo:

Mãe, te amo. Obrigado por ser minha Mãe.

Escrito por Fabio Fernandes... às 12h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

08/10/2008


Dúvidas, com toda a certeza.

Existe alguma forma de medir a estupidez?
Digo, a própria estupidez?
Algum jeito de não se iludir?
De não se desacreditar?
De não ser desacreditado?
Ser desconsiderado?
Quase ignorado?
Ser deixado de lado?
Seria esse o menor dos problemas?
Ou seria esse o maior problema?
E se existirem dúvidas?
E se as dúvidas não forem respondidas?
E se as respostas não forem o suficiente?
E se o que apetece não for provado?
E se o quê já foi feito, for ignorado?
Se o que foi escrito for apagado?
Se o sentimento for esquecido?
Se o sofrimento for alavancado?
Se o aperto no peito for aumentado?
Se o gosto do féu for piorado?
Se o inferno parecer que é logo ao lado?
Se a inteligência de nada valer?
Se o que está claro, ninguém puder ver?
Se está tão claro, alguém irá ver?
Se não houver nada que ningúem possa fazer?
E se esse ninguém for você?
Você faria?
Veria?
Ignoraria?

Será mesmo que a felicidade aparecerá um dia?
Será?
E se...??
Se...

É...
Era. Foi.
Inacreditavelmente cego, indubitavelmente burro.

Escrito por Fabio Fernandes... às 00h11
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

07/10/2008


Quem você pensa que é?

Existem duas perguntas que também são respostas quando dispostas juntas, uma após a outra. A primeira é: “Sabe com quem está falando?”, e a segunda é “Quem você pensa que é?”.
É muito simples, mas antes de mais nada tenha em mente que uma pergunta responde à outra, não é necessariamente regra que o restante da conversa termine de forma tranquila. Se a conversa for entre você e qualquer outra pessoa de nível hierárquico mais elevado que o seu em seu local de trabalho, provavelmente o final da conversa pode não ser agradável. Portanto, eliminemos o uso dessas “perguntas-respostas” no nosso local de trabalho. Digo isso por dois motivos: Se você fizer uma dessas perguntas, demonstrará arrogância ou prepotência, o que não ajuda muito. Se responder uma dessas perguntas, se insubordinará em alguns casos. Portanto vamos ao novo nível de abstração a utilização das perguntas acima citadas, na rua..

Certa vez, parei para estacionar o carro, e quando dava a seta e engatava a ré, um indivíduo simplesmente ignorou os sinais aparentes de que a vaga já era minha e posicionou, porcamente, o carro na vaga. Tendo eu percebido que ele precisaria sair e entrar com o carro na vaga novamente, esperei o momento certo e estacionei o meu carro antes que ele tivesse tempo de voltar com o carro dele. Antes de sair do meu carro, fechei os vidros, peguei alguns papéis e sai calmamente do carro, quando percebi o indivíduo de baixa estatura vindo em minha direção. Sem rodeios ele perguntou:

- Ô rapazinho, você não viu que eu já havia estacionado na vaga?

E o diálogo se iniciou:

- Vi sim. – Respondi calmamente, por incrível que pareça.
- E então? – Retrucou.
- Vi também que você saiu da vaga.
- Mas eu estava apenas manobrando para estacionar melhor. – Explicou ele.
- Tudo bem amigo, mas eu percebi que você já havia entrado e saido da vaga, mas você por acaso percebeu meu carro parado logo à frente com a seta ligada e a ré engatada?? – Já começava a ser discretamente irônico.
- Não, não vi. – Aí começou a mentir, e eu comecei a me irritar.
- Tudo bem então, pensando bem eu não vi você entrando, só vi você sair da vaga. Então como ela estava disponível, eu estacionei lá. – Demonstrando clara ironia.
E nesse momento, surgiu abruptamente a pergunta mágica:
- Meu querido, você sabe com quem está falando? – Perguntou ele. Tive que me segurar para não rir.
- Meu querido – com plena ironia, basicamente rindo da cara dele - quem você pensa que é?

Nesse momento, o cidadão resolveu repensar o quê havia dito, afinal de contas este tipo de conversa funciona como o blefe no poker que se você começar, tem que saber até onde pode ir, e se irá até o fim ou não.

Não obstante, resolveu me perguntar quem eu era:

- Mas e você? Quem é?
- Bom, por você ter demonstrado um pouco de bom senso e querer conversar para resolver o problema, vou lhe responder apenas que não deveria utilizar de autoridade sem necessidade, até mesmo para se preservar. – Avisei-o.
- Errr... hum.. Bom, então o Senhor me desculpe, mas é que achei que não haveria problema se eu estacionasse ali, é que estou apressado para ir ao banco, sabe como é né? – Tentou se explicar.
- Não, não sei. Geralmente não paro meu carro por aqui, mas como esse é o carro da empregada, paro em qualquer lugar. – Menti, descaradamente.
- Tudo certo, sem problemas, pode ficar com a vaga, olha que sorte a minha acabou de desocupar uma vaga ali na esquina, vou parar lá antes que perca a vaga. – Já finalizando a conversa, com medo de quem eu “pudesse ser”.

Depois disso tudo, esperei uns instantes e tirei meu carro da vaga, parei do outro lado do quarteirão, afinal de contas ainda restam-me algumas prestações pra pagar do “carro da minha empregada”. E não queria que o indivíduo revidasse no meu carro... Digo, no “carro da minha empregada”.

Então a conclusão da história é clara: nunca demonstre inferioridade e ao mesmo tempo não subestime seu “adversário”. Afinal de contas ele pode não saber, naquele momento, com quem está falando... Mas podemos ser quem pensarmos ser e agir como tal, sempre que quisermos.

Escrito por Fabio Fernandes... às 16h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

27/09/2008


Muito prazer, sou Palhaço.

Rá!

Outro dia me chamaram de palhaço. Palhaço? Eu? Rá de novo!

Se ser palhaço for quem aproveita a vida quando, e enquanto, há tempo disponível: Muito prazer, meu nome é Palhaço. Se pra merecer o título deve-se fazer palhaçadas e malabarismos na vida, se esforçar ao máximo para ser o momento mais alegre do espetáculo, cá estou palhaço. Ser a parte que libera o riso, que faz sorrir ao menos. Já possuo 28 anos de palhaçada. No picadeiro, tem que saber improvisar, saber lidar com as adversidades e literalmente rebolar para causar o efeito desejado na platéia. É necessário saber contracenar com outros palhaços no picadeiro. E já digo logo que não é pra qualquer um. Nem todo mundo dá a cara a tapa, nem todo mundo se dá de forma a receber bem uma reprovação, ou até mesmo uma provação. É complicado ser palhaço. Ter, às vezes, que fazer sorrir mesmo chorando nos pensamentos. Passar a idéia de que a felicidade só se confunde, de vez em quando, com o mal humor.

Mas e daí? O nariz vermelho, é meu. Ninguém tem nada com isso. Se não quer ver palhaço, não vá ao circo. Não prestigie a legítima vontade de incentivar o riso, de extratir a alegria, de povoar os pensamentos com felicidade e graça. Simplesmente basta não assistir, tanto no sentido de ver como de dar assistência. Simplesmente deixe o palhaço no lugar dele, fazendo seu show, e sempre tentando fazer o bem.

O sentido pejorativo do termo é pra ser direcionado apenas pra quem não sabe atuar no picadeiro, agora pro palhaço aqui não.

Escrito por Fabio Fernandes... às 12h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

24/09/2008


A subjetividade é o que há de melhor.

Basicamente, na escrita, é.

Escrito por Fabio Fernandes... às 17h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

De agora em diante...

É engraçado como as coisas acontecem, não é mesmo? Às vezes achamos que a vida não poderia nos surpreender mais, e quando menos se percebe um presente lhe cai ao colo. Esse é o ponto chave pois é assim que a vida é, ela gosta de dar voltas, andar por aí pregando peças, pegando todo mundo desprevenido. Ela faz revivermos memórias que, há muito já se consideravam esquecidas, abandonadas, deixadas de lado por só trazerem o saudosismo de uma época boa que ficou pra trás. Mas ficou pra trás no bom sentido da palavra, no sentido de admitirmos que o presente, simplesmente se tornou passado e está logo ali em nossas memórias. E o futuro? O futuro depende de como se vê, se houver esperança, será bom. Se houver incerteza, obviamente será previsto como incerto.
Claro que a vida também nos trás incerteza, aquele friozinho na barriga por não saber como será o “de agora em diante”. Mas ao mesmo tempo nos brinda com alguma esperança de que tudo pode mudar, de que vai ser melhor, enfim, que o futuro será como sonhamos.
E cabe a nós decidirmos o que fazer, se no presente soubermos lidar com os presentes que a vida nos dá, nosso futuro sempre será cheio de vida, pois é assim que ela é. Tira, mas também sabe dar. Faz com que fiquemos em situações difíceis para nos ver crescer com o aprendizado, e nos tornarmos mais fortes. Assim mesmo, bem parecido com a chegada ao mundo. Em que nos deparamos um universo de possibilidades, sabemos que uma delas já foi traçada para nós. E nos cabe escolher a melhor das opções disponíveis. Fazer com que os caminhos a serem seguidos sejam os melhores possíveis. E mesmo mudando de caminho, no meio do caminho, que este novo seja um atalho para o próximo objetivo. Tarefa simples? Nem sempre.

Agora, falando na primeira pessoa do singular, sei que posso não saber lidar muito bem com minhas opções. Mas sempre tento vê-las um pouco mais a frente, tento prever o quê será, e se será construtivo. Até admito que não faço com tanto afinco como deveria mesmo por quê a impulsividade, que impera, não me permite avaliar muito bem o que deveria ser minuciosamente calculado e medido.
Mas confesso que me sinto melhor me entregando ao desconhecido literalmente deixando a correnteza levar o barquinho da minha vida pra onde convier. Não sei ao certo se isso é sinal de força ou de fraqueza, ou se é a fraqueza da razão perante a força dos meus sentimentos.

Enfim, não sei.

Daí a incerteza.. Daí aquela pontinha de esperança.. Daí aquele friozinho na barriga...

E o “de agora em diante” como será? Vamos ver...

Escrito por Fabio Fernandes... às 16h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/09/2008


Protetor de tela.

Qual é a graça de se sentar de frente pro mar, e olhar o horizonte? Perde-se o foco da vista de tão longe que o horizonte está. Mas a vista torna-se secundária no foco da mente. Daí o prazer em sentar-se ali. Abstração de uma paisagem tão linda dá uma sensação de protetor de tela enquanto se discute um assunto importante.
É como o sabor do pão com manteiga enquanto ainda se está tentando lembrar do sonho que está quase fugindo da cabeça pela manhã. O gosto que o sonho deixou, apetece mais do que algo do cotidiano, afinal de contas pão com manteiga na padaria, tem um monte. Na simplicidade das pequenas coisas está o real gosto da vida, o gosto do novo a cada dia, no dia-a-dia. Só que com o passar do tempo, deixam-se certos prazeres de lado. Ou melhor, alguns prazeres quando passam a fazer parte do cotidiano, não são mais prazeres. É como dizer que todos são especiais, isso faz com que ninguém mais seja. Ou se é especial, ou se é normal. Se todos fossem especiais, seria normal ser assim.

Mas valorizar a beleza das coisas, da vida, das paisagens, dos sabores, dos sonhos, é o que nos faz querer ir além, querer ultrapassar nossos limites. Romper as barreiras do bom-senso, e viver intensamente o que nos resta, o cotidiano. Nos cabe fazer do cotidiano um eterno fim de semana. Mas é aí que está quando se tira a semana de trabalho, qual é a graça do fim de semana? É até pior, se você quiser ir na padaria no domingo de manhã vai ser complicado, pois o padeiro pode ter ido sentar-se em frente ao mar.. Só pra pensar na vida...

Então que se aproveite o que quiser, quando quiser, e se der trás um pão com manteiga pra mim, por quê tô sonhando com um aqui na beira da praia.

Escrito por Fabio Fernandes... às 21h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

16/09/2008


A paciência do Seu Bastião.

Estava no ponto de ônibus sob uma chuva daquelas que nem molha demais, nem de menos, só incomoda o suficiente, quando parei para prestar atenção no que as pessoas que, também incomodadas com a chuva, diziam. Ouvia coisas um tanto quanto normais do tipo:

"Tenho que comprar mais acelga pra fazer uma sopa pro papai.."

Que diabos é ACELGA???

Enquanto outra respondia perguntando:

"Mas seu pai num sarou ainda não? O quê que ele tem mesmo?"

E de volta a resposta:

"Ah minina, o médico falou que era só uma coisa no fígado, mas ele falou que tá com coceira no corpo todo, e isso num deve ter nada a ver com o fígado, pra falar a verdade eu tô achando que é "irizipela"".

(....????)

Mas quando o assunto chegou a esse ponto, reparei que mais a meu lado vinha um senhor cantando uma música do Roberto Carlos, se não me engano o nome da música era "Traumas":

"..falam das coisas que eu via

no delírio da febre que ardia."

(não desmerecendo a música, mas sim o intérprete)

Pensei comigo: "Chegando em casa vou tomar 2 efervescentes de redoxon e ficarei na cama!"

E o incômodo da chuva continuava, e eu não sabia se o pior é estar com "ziquizira" ou "irizipela", ouvir Roberto Carlos tão mal cantado pelo senhor que estava perto de mim ou se ainda era estar na chuva com guarda-chuva (ou sem), aquela coisa desengonçada que se usa quando você pensa que não está se molhando, mais está e não satisfeito quando vai fecha-lo acaba se molhando mais ainda e molhando a todos ao seu redor, por isso, me lembrei, que não trazia um comigo.

E foi exatamente o que aconteceu quando o homem que cantava Roberto Carlos, para a minha impaciência, parou exatamente na minha frente para entrar no ônibus que havia chegado e sacudiu o dito cujo, parecia que de propósito, me molhando todo.

Ele me pediu desculpas com um leve balançar de cabeça, e foi só.

Estando no ímpeto de toda minha impaciência, simplesmente não esbocei reação, fiquei na minha, afinal de contas essas coisas são normais de se acontecer.

Minha vontade de sair da chuva era tão grande que deixei de lado o ocorrido passado e, finalmente, consegui entrar no ônibus, que estava vazio pra variar.

Estava eu indo me sentar, quando mais uma maravilha para testar minha paciência acontece, o banco do ônibus estava cheio de água, mas tudo bem logo após eu já ter me sentado lá, ele ficou apenas úmido, por que minha calça fez o trabalho de secá-lo.

A partir daí, momentaneamente, não mais me importei com o ocorrido, e só me imaginava debaixo das cobertas vendo TV, fazendo algo aconchegante, quando voltei novamente toda minha impaciência para o motorista do ônibus que andava mais ou menos a uns 30 km/h, e o mais engraçado que sem se importar com a chuva, ou com o tempo, muito menos com a pressa de algum passageiro ou com qualquer outra coisa que não fosse a sineta que é tocada quando se quer que o ônibus pare. Estava lá, sentado, como o Rei do Mundo e das Estradas de Rodagens. Nada o incomodava, aquele tempo para ele nada significava, o fato de ter passageiros com vontade de estrangula-lo, também não surtia efeito algum. Continuava ele nos 30 km/h, com toda a paciência do mundo em seu trono, impávido, impecável, inabalável, a não ser pela sineta.

Quando ela foi tocada, o senil intérprete do Roberto Carlos, se levantou ainda dizendo meio que por entre os dentes:

"Meu pai.. un tã num tã nã nã..

pra que eu nunca sssssstisse..."

Ele ainda continuava com a mesma música na cabeça, e todos sabem que mulher e música ruim são coisas que não se tira facilmente da cabeça, mas essa parecia que não era o caso dele, ele também se sentia com toda a paciência do mundo, e a música era de agrado dele.

Quando ele chegou perto da porta do ônibus que havia parado, virou-se para o Motorista e disse:

"Té mais Bastião!"

E o (Rei) Bastião respondeu:

"Té mais meu jovem."

Partimos de novo na viagem que para mim já se tornava um martírio, agora sem fundo musical, já que o Roberto Carlos de araque tinha descido. Mas ainda tinha aquele papo da tal da "irizipela":

"É minina, outro dia eu tive que passar álcool nele todinho, por que ele tava reclamando demais, dizia que estava "pinicando" além de estar todo "empolado".

Resposta:

"Coitado gente!"

Entre questionamentos pessoais sobre de quê o pobre coitado deveria realmente estar sofrendo, FINALMENTE, cheguei ao ponto próximo à minha casa, puxei aquela cordinha com tanta força, que se puxasse mais um pouco, meus pés sairiam do chão. Me segurei para não dizer pras mulheres darem um banho de pirimbeta gaúcha no homem. E ainda incomodado pela calça, camisa, e todas as outras vestes molhadas, fui em direção à porta para me livrar daquele pequeno inferno que se formava dentro de minha cabeça entre "Acelgas", Roberto Carlos, água, cueca molhada, ziquiziras e irizipelas.

E quando saía com a cabeça, as costas e, principalmente a bunda molhada, escuto um jovial e alegre:

"Até mais meu Jovem..."

E lá foi o rei montado na sua carruagem real, passeando pelo seu reino sem se importar com os plebeus.

__________________________________________
Texto publicado em 02/08/2002 no site do Canal do mIRC de Itaperuna.

Escrito por Fabio Fernandes... às 23h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Não sei, esqueci.

Tava outro dia pensando mas, de uma hora pra outra, simplesmente esqueci. Sabe como é chato quando exatamente no momento que você resolve lembrar alguma coisa, você a esquece ?
Poxa, isso é um fato comum. Quem nunca esqueceu alguma coisa no meio do que estava contando? Ou pensando? Ou lembrando? Tá bom, tentando lembrar...
E o pior de tudo é que quando isso acontece, o seu sub-consciente fica lá, matutando. Tentando encontrar a resposta pra pergunta que o consciente fez. Aí quando você vai guardar o carro na garagem ou, melhor, botar o lixo pra fora simplesmente brota na sua cabeça o nome daquele ator, daquele filme, que você tava comentando no trabalho, com... Com quem mesmo? É aquela garota nova, aquela que tá trabalhando na contabilidade...
Bom vamos fazer o seguinte, eu deixo isso pra lá por enquanto, vou pra casa, boto o carro na garagem e o lixo pra fora ao mesmo tempo e te ligo pra contar o que era, ok? Quem sabe assim não funciona?
Inútil acreditar, afinal de contas se vc fizer qualquer esforço voluntário não vai conseguir lembrar daquilo que esqueceu. É assim que as coisas são. Portanto abstraia, simplesmente deixe pra lá que uma hora ou outra você lembra.
Mas era o quê mesmo que eu tava tentando lembrar? Não sei, esqueci. Acho que vou botar o lixo pra fora...

Escrito por Fabio Fernandes... às 23h07
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

13/09/2008


Ponto de vista.

Não é questão de estar ruim, na verdade tudo começou da maneira errada. Como uma coisa leva a outra então fica fácil perceber que o quê acontece hoje é, às vezes, um passado mascarado. Um subterfúgio para perceber, de maneira diferente e até um pouco deturpada, o que foi. É querer definir um só ponto de vista, para o que foi visto de vários ângulos, em vários aspectos, interpretado em diferentes sentidos.

É difícil perceber que uma atitude de hoje pode ser resultado de uma experiência do ontem. Não que isso seja regra, mas se aplica bem em alguns casos. Pois o passado, por si só, é passado. Já passou, foi, acabou, não será nada além da lembrança. Então a nostalgia que fica é a tentativa de fixação de um ponto de vista, não do acontecido em si.

Não há inspiração para expressar alguma coisa que já deveria ter sido esquecida. E se deveria ter sido esquecida, como levaria à inspiração? A palavra dita nem sempre dita o que se deve fazer, ou se dita não especifica corretamente a maneira que deveria ser feito.

No pensamento está a sinceridade, a coerência, a certeza do que será. Mas o pensamento, sem o sentimento, não se torna atitude. E é exatamente este sentimento que não permite que o caminho a ser seguido, seja alterado, que demonstra que se deve levar em consideração os sentimentos de outras pessoas alheias à situação. Portanto, inevitavelmente, voltamos ao ponto de que não é questão de estar ruim, na verdade tudo começou da maneira errada.

Escrito por Fabio Fernandes... às 01h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DAS OSTRAS, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English

Histórico